Junho 19, 2024
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Cantarinha dos Namorados de Guimarães certificada

A Cantarinha dos Namorados de Guimarães, “peça icónica da olaria” local, foi incluída no Registo Nacional de Produções Artesanais Tradicionais Certificadas, segundo um despacho hoje publicado em Diário da República (DR).

“É aprovada a inclusão da produção tradicional ‘Cantarinha dos Namorados de Guimarães’ no Registo Nacional de Produções Artesanais Tradicionais Certificadas, sendo titular do registo, enquanto entidade promotora, a Oficina – Centro de Artes e Mesteres Tradicionais de Guimarães”, lê-se no despacho assinado pelo presidente do conselho diretivo do Instituto do Emprego e da Formação Profissional (IEFP), Domingos Ferreira Lopes.

A Cantarinha dos Namorados de Guimarães reproduz a forma de um cântaro de água e é composta por quatro peças: cântara; prato; púcara e tampa, produzidas em barro vermelho com recurso à roda de oleiro e decoradas com pó de mica que incorpora motivos florais feitos de barro em relevo, ou por marcação em baixo-relevo de elementos de cariz geométrico.

“Trata-se de uma peça icónica cuja perpetuação foi garantida por incontáveis gerações de oleiros ao longo de, pelo menos, quinhentos anos, sendo por isso testemunha de toda a história da olaria de Guimarães”, sustenta a Oficina, entidade promotora, na candidatura apresentada.

Quanto à delimitação geográfica da área de produção, as unidades produtivas artesanais, que se dedicam à arte da cerâmica, localizam-se, hoje em dia, nas freguesias de Oliveira do Castelo e de Fermentões, mais próximas à cidade de Guimarães, no distrito de Braga.

“Mas também nas mais afastadas freguesias de Brito e de Lordelo. Daí que se considere todo o concelho como área de produção da ‘Cantarinha dos Namorados de Guimarães’ e como limite territorial da indicação geográfica a registar, na perspetiva de que a sua certificação ajudará a formar novas unidades produtivas em todo o território vimaranense”, lê-se ainda no anexo junto ao despacho publicado.

Na manufatura da cantarinha, a primeira tarefa consiste, segundo o promotor, na preparação do barro, que deve ser bem amassado, a que se segue o trabalho na roda de oleiro tradicional (roda alta movida pelo batimento do pé no eixo inferior) ou em roda elétrica que, basicamente, substitui a tração humana pelo recurso à energia elétrica.

“De seguida, são executadas as restantes peças: prato, púcara e tampa. Esta última peça é rematada por uma pequena figura zoomórfica esculpida em forma de pássaro com as asas abertas, acompanhada por outras três aves de tamanho inferior, numa representação simbólica da mãe e da sua prole”, explica a Oficina.

De acordo com a Oficina – Centro de Artes e Mesteres Tradicionais de Guimarães, a Cantarinha dos Namorados de Guimarães é reconhecida pela sua forma, associada a um ato simbólico que pertence ao domínio da troca de sentimentos afetivos entre as pessoas.

“É, por isso mesmo, um objeto contador de histórias. O caminho para criações inovadoras passará por manter o desenho das suas características formais, abrindo campo para o uso de novos materiais cerâmicos e matérias-primas, desde que complementares ao barro. No entanto, e respeitando a sua simbologia, o conceito das novas criações terá também de ir ao encontro, embora dentro de um pensamento artístico contemporâneo, à mensagem que acompanha a cantarinha tradicional: a celebração do amor”, sustenta o promotor.

FONTE: LUSA

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