Junho 20, 2024
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“Croque-Couleur” de José Loureiro, em França

O artista português José Loureiro vai inaugurar “Croque-Couleur” a 17 de fevereiro, no museu de arte contemporânea de Dunquerque, naquela que será a primeira grande individual em França, com 120 obras, incluindo séries inéditas, segundo a organização.

“Combinando rigor e fantasia, Loureiro navega na fronteira entre a arte abstrata e a figuração, com telas marcadas por um uso vibrante da cor”, descreve a programação do Frac Grand Large sobre a mostra que abrange os últimos 15 anos de produção artística de José Loureiro.

Com curadoria da diretora do museu, Keren Detton, a exposição, que ficará patente até 01 de setembro, não apresenta as obras organizadas por ordem cronológica, e começa com “A vocação dos ácaros”, uma série de 2017 da qual duas pinturas estão na coleção Frac Grand Large.

José Loureiro trabalha com óleo sobre tela ou óleo sobre papel, aplicando cores fluidas e vivas que por vezes criam uma impressão de volume, criando linhas pretas livremente inspiradas nas patas de insetos: “Isolados com a moldura de cada quadro, estes ácaros são como as letras de um alfabeto”, aponta a curadoria.

Nascido em 1961, José Loureiro descobriu a pintura aos 16 anos e estudou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa.

Começou a expor no final da década de 1980, e, desde então, expôs em várias instituições em Portugal e no estrangeiro, e as suas obras fazem parte de coleções como as do Centre Pompidou, em Paris, do Museu de Arte Contemporânea do Centro Cultural de Belém e da Fundação Calouste Gulbenkian, ambos em Lisboa.

Com “um estilo inicial expressivo e marcado por toques quase surrealistas, evoluiu rapidamente para um mais simples”, e em 1993, “a sua obra assume um caráter mais abstrato baseado nas suas pesquisas sobre grelhas, que continuam a informar o seu trabalho atual”.

Nesta exposição, é estabelecido um diálogo entre obras de diferentes períodos, desde a abstração pura das pinturas de tiras de gaze embebidas em tinta e impressas em ´patchwork´ ou monocromáticas (2023) a uma estética baseada em grelha que na série “Dead Synapse” (2018) já apontava para os têxteis e noções de remendo.

Loureiro – que tem vindo a explorar a mecânica do gesto, questões de escala, a síntese de movimentos e a autonomia da cor – apresenta ainda no museu francês a obra monumental intitulada “L. Boson, une peinture” (2011), nesta versão composta por 141 telas horizontais sobrepostas com diferentes tonalidades.

Será também exibida toda a série “Narcissus” (2023), “com 17 figuras que recebem os visitantes “como se estivessem a entrar numa galeria de retratos e, no entanto, os seus rostos são meros contornos”, com “cada figura a caracterizar-se pela sua respetiva atitude”.

Para além da exposição, haverá uma sala de projeção com uma vasta panorâmica da obra do artista em filmes centrados nas suas exposições passadas, através de ´slides´ acompanhados por uma banda sonora de música minimalista ou concreta retirada da Internet.

O catálogo da exposição – apoiada pela Galerie Florent e pela delegação de Paris Fundação Calouste Gulbenkian – será publicado durante o primeiro trimestre de 2024, segundo o museu, que possui uma coleção de arte e ´design´ contemporâneos desde os anos 1960 até à atualidade.

FONTE: LUSA

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