Maio 24, 2024
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“Hamlet” em Paris com portugueses no elenco

A atriz Isabel Abreu e o ator Tónan Quito sobem hoje ao palco do Odéon-Théâtre de l’Europe, em Paris, na estreia de “Hamlet”, uma nova adaptação da tragédia de Shakespeare pela encenadora brasileira Christiane Jatahy.

De acordo com aquele teatro, nesta adaptação contemporânea do texto do dramaturgo inglês, o jovem Hamlet é uma mulher adulta – a atriz francesa Clotilde Hesme -, “tão atormentada quanto ele pelas falhas do passado, mas com vontade de mudar o futuro”.

Na peça, que ficará em cena até 14 de abril, a atriz Isabel Abreu interpreta Ofélia, pretendente de Hamlet, e o ator Tónan Quito é Polónio, pai dela.

“O que aconteceria se Hamlet fosse hoje, quatro séculos depois de Shakespeare, uma mulher? O que é que mudaria no seu relacionamento com a mãe, Gertrude, com a noiva, Ofélia, e com o sistema patriarcal?”, pergunta a encenadora, numa entrevista publicada na folha de sala.

Na mesma entrevista, questionada sobre a escolha de dois atores portugueses e não brasileiros, Christiane Jatahy justifica por “uma questão social”.

“Ofélia, o pai, Polónio, e o irmão, Laertes, mesmo que falem a língua, eles não fazem parte do meio de Hamlet, estão um pouco à parte. Aludindo a isto, Portugal está a uma boa distância de França, nem muito longe, como o Brasil, nem muito perto. É um país europeu, mas mais pobre do que as grandes potências, portanto, com uma outra relação com o poder”, afirmou a encenadora.

Depois de Paris, o espetáculo de Christiane Jatahy andará em digressão, estando confirmadas apresentações na Áustria, nos Países Baixos e em Espanha.

A encenadora brasileira Christiane Jatahy, que nasceu no Rio de Janeiro em 1968, soma duas décadas de trabalhos cénicos que conjugam diferentes áreas artísticas, do teatro ao cinema e à videoarte, com preocupações comuns.

Em 2018 protagonizou o programa Artista na Cidade de Lisboa, com a apresentação de vários espetáculos, nomeadamente “Ítaca”, inspirado na “Odisseia”, de Homero, e “Júlia”, a partir de um texto de August Strindberg.

FONTE: LUSA

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