Junho 14, 2024
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Luso-americana cria Semana dos Vinhos Portugueses em Los Angeles

A luso-americana Sandra Gomes Rocha, dona da importadora Diniz Cellars, criou a primeira Semana dos Vinhos Portugueses em Los Angeles, que decorre até domingo, numa altura em que há enorme crescimento da procura por clientes americanos. 

“A semana é para fazer promoção a tudo o que é português, vinho, comida, cultura e música”, disse à Lusa a responsável, filha de emigrantes transmontanos.

“Queria criar esta semana para celebrar sermos portugueses, já que estamos perto do Dia de Portugal”, acrescentou. 

A iniciativa inclui hoje um jantar com Cristina Videira Lopes, professora na Universidade da Califórnia em Irvine e produtora de vinho na Quinta das Queimas. 

Durante o dia de hoje, os vinhos portugueses participam no Vintage Hollywood 2024 e no domingo haverá um almoço vínico com fados de Mariana Arroja no salão português de Artesia. Há também ofertas no restaurante Barra Santos e eventos que juntam vinho e atividades típicas de LA, como um “Sip and Sail” (beber e velejar) em Marina Del Rey. 

“Cresci em Newark, Nova Jersey, e lá, durante os primeiros dias de junho, tínhamos muitas festas para o Dia de Portugal, mas aqui realmente não se vê”, explicou Sandra Gomes Rocha, que nasceu na Venezuela e fala português de forma fluente. 

“Então queria fazer uma festa durante a semana e dar mais destaque aos vinhos portugueses, que estão a andar bem aqui no mercado, e tentar capitalizar no interesse do povo de Los Angeles que está a gostar muito de Portugal”. 

Executiva de marketing na Disney, a importação de vinho português é um projeto pessoal que teve um grande crescimento nos últimos três anos.

“Há muita gente que está a viajar para Portugal e quando voltam não veem muitos produtos da cultura portuguesa cá”, referiu. 

A sua intenção é contribuir para que os consumidores saibam que há produtos disponíveis e que o vinho português “vale a pena ter à mesa”. 

A importadora explicou que, no início, era difícil convencer as garrafeiras a fazerem provas. Agora, a situação é inversa: “não só aceitam como também estão a pedir vinhos específicos”, incluindo por região, devido ao volume de clientes que os procuram. 

A Diniz Cellars importou cerca de 12 mil litros no ano passado, trabalhando exclusivamente com pequenos produtores e negócios familiares. “Não representamos essas companhias grandes e antigas, é mais o novo produtor, gente que é jovem”, referiu. “Estamos dedicados a representar a nova geração de produtores e enólogos em Portugal”. 

O foco está em vinho verde do Douro, Alentejo e Dão com o objetivo de começar a importar também vermute, ginja e gim. Estão disponíveis em mais de 30 garrafeiras e restaurantes, de Los Angeles a Palm Springs e San Clemente. O cliente típico é americano, jovem, que gosta de viajar. 

“Há uma grande oportunidade para os vinhos portugueses aqui em Los Angeles”, realçou a luso-americana, que se mudou de Newark para a Califórnia para trabalhar em Hollywood há uma década. 

“Não é só que agora as pessoas sabem onde está Portugal no mapa, porque há cinco anos não sabiam (…). Agora não só conhecem, mas também reconhecem a qualidade do vinho português, especialmente a comparar com vinhos da Califórnia”, disse. 

Quando abriu a atividade, Sandra Gomes Rocha pensou que iria servir sobretudo a comunidade portuguesa, já que havia pouca oferta no mercado. No entanto, não foi isso que aconteceu.

“O português entende que o vinho verde é um vinho barato, fresco, que talvez não tenha muito reconhecimento” e “o consumidor português aqui na Califórnia ainda não aceita o preço dos vinhos portugueses nos Estados Unidos, porque há esse pensamento que é barato”, referiu. 

Uma garrafa de reserva de alta qualidade do Alentejo pode custar 50 dólares. É algo que, para o consumidor americano, oferece uma melhor relação qualidade-preço que os vinhos de outras regiões. “Há muito mais interesse, porque temos um produto que é de qualidade sem gastar muito dinheiro”. 

A inflação e as greves de 2023 em Hollywood tornaram o ano passado difícil, levando a Diniz Cellars a crescer apenas 5% depois de ter subido mais de 50% no homólogo. Em 2024, a previsão é que as vendas cresçam 10% e permitam expandir o negócio. 

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