Junho 14, 2024
Portugal Desporto

“Missão olímpica mais pequena mas mais qualificada”

Portugal estará em Paris2024 com “uma missão olímpica mais pequena, mas mais qualificada do ponto de vista desportivo”, defendeu José Manuel Constantino, que se mostrou pessimista relativamente à recuperação das atletas Patrícia Mamona e Auriol Dongmo.

“A minha perspetiva é a de que nós iremos a Paris com uma missão olímpica mais pequena, mas mais qualificada do ponto de vista desportivo, ou seja, com um valor médio mais alto. Faltam fechar várias modalidades, designadamente o atletismo e o judo, mas a nossa expectativa face aos 47 já apurados é de que temos modalidades com valor médio muito alto. E, portanto, no global, a minha expectativa é de que, sendo menos atletas, tenham um valor desportivo superior”, avaliou o presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP).

Quando faltam dois meses para o arranque dos Jogos Olímpicos, um ‘marco’ que se assinala no domingo, José Manuel Constantino disse à Lusa que mantém as expectativas quanto aos resultados perspetivados para a missão lusa, que confia terá entre “os 70 e os 80” atletas.

“A preparação vai bem, com os percalços que se conhecem relativamente a atletas de topo e que continuam impossibilitados de garantir a respetiva preparação desportiva. E, quanto ao resto, do ponto de vista estritamente desportivo, não temos nada a assinalar à boa relação com as federações, com os atletas, e os resultados que estão a ser alcançados no essencial, no global, correspondem às nossas expectativas, naturalmente com exceção daquilo que ocorreu no futebol e no andebol”, reiterou.

Ultrapassado o ‘impasse’ no caso Pedro Pablo Pichardo – o campeão olímpico do triplo salto garantiu o apuramento para Paris2024 no primeiro salto da época -, o máximo dirigente desportivo nacional confessa-se agora apreensivo quanto à recuperação de Patrícia Mamona, prata no triplo salto em Tóquio2020, e da lançadora Auriol Dongmo, quarta no peso em Tóquio2020.

“Os feedbacks que tenho são do departamento desportivo do COP, e não são, em relação à Auriol, muito otimistas e, em relação à Patrícia, há alguma expectativa que ela possa recuperar da lesão”, detalhou.

Dongmo, que não compete desde meados de setembro de 2023, já tem assegurados mínimos para estar na capital francesa, mas o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, Jorge Vieira, disse recentemente à Lusa que “é muito difícil, muito improvável” a sua participação nos Jogos.

Já Patrícia Mamona está a recuperar de lesões nos joelhos que a afetam há praticamente um ano e ainda não tem mínimos para os Jogos Olímpicos, agendados entre 26 de julho e 11 de agosto.

“Eu estou preocupado com a recuperação desportiva da Patrícia. O resto logo se vê. Se ela consegue ou não fazer um salto em que obtenha marca de qualificação para Paris”, pontuou José Manuel Constantino.

Mas nem tudo são más notícias para a missão portuguesa, que será reforçada por Agate Sousa, atleta são-tomense que já tem marca de qualificação no salto em comprimento para os Jogos Olímpicos Paris2024 e que foi autorizada pela World Athetics a competir por Portugal.

“Foi trabalho da federação. O COP não teve qualquer intervenção nessa matéria. É mérito da federação. É um reforço muito importante, atendendo ao valor da atleta, […] que tem um valor médio alto. E, portanto, vai acrescentar valor à nossa missão”, concluiu.

Presidente do COP confessa estranheza pela falta de novidades sobre medidas do Governo

O presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) manifestou hoje estranheza por não haver novidades quanto à alteração do Instituto Português do Desporto e Juventude e ao pacote financeiro reforçado anunciados pelo Governo. “Não se sabe o que se passa com a anunciada alteração do Instituto [Português] de Desporto e da Juventude. Não se sabe o que se passa com o pacote financeiro reforçado [para o desporto] que foi anunciado, duas das medidas emblemáticas do Governo. E, agora, aparece como principal preocupação do Governo a elaboração de um plano nacional de desenvolvimento desportivo, aparentemente deitando fora os cerca de seis planos setoriais que vêm do Governo anterior e colocando a três legislaturas [a implementação]”, evidenciou.

Em entrevista à agência Lusa, José Manuel Constantino assumiu-se surpreso por “das três medidas emblemáticas do novo Governo, só se falar de uma”. “Isso surpreende-me. Eu não estou a pedir que ao fim de dois meses as medidas sejam aplicadas, mas o que é que está a ser feito? Que estudos estão a ser realizados? Que medidas estão a ser preparadas?”, questionou.

Para o presidente do COP, “como está a acontecer em diversos setores da atividade pública nacional – os médicos, os enfermeiros, os polícias -, caberá ao Governo, que se comprometeu com esse propósito, dizer ‘a nossa perspetiva é a de um reforço de X, a partir de determinada data’”. “Omitir isto, retirar isto do discurso político e colocar em ênfase apenas o plano nacional de desenvolvimento desportivo, aparentemente é estranho. Mas a minha estranheza pode não ter razão de ser, o Governo que esclareça”, instou.

A criação do Ministério da Juventude e Modernização, liderado por Margarida Balseiro Lopes, levou à separação entre as tutelas do Desporto e da Juventude fundidas pelo executivo liderado por Pedro Passos Coelho e mantidas por António Costa, o que inevitavelmente terá impacto no Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).

Ao nível ministerial, o Desporto permaneceu sob a alçada dos Assuntos Parlamentares, Pedro Duarte, tal como acontecia no mais recente Governo socialista, com Ana Catarina Mendes, depois de ter estado sob a tutela da Educação, com Tiago Brandão Rodrigues.

No início de maio, numa intervenção na 27.ª Gala do Desporto, o ministro dos Assuntos Parlamentares revelou que o Governo quer conceber “um plano integral” para o setor. “Assumimos já que queremos construir, conceber e executar aquilo que estamos a chamar, por enquanto, um plano integral para o desporto no nosso país. Mas nós não queremos trazer esse plano integral, mostrar-vos e apresentar-vos. Nós queremos construir de baixo para cima, com toda a gente, um plano nacional, no sentido mais abrangente do termo, para o desporto no nosso país”, elucidou Pedro Duarte.

Constantino estende à cibersegurança preocupações com segurança

O presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) está preocupado com as questões de segurança de Paris2024, nomeadamente as de cibersegurança, antecipando dificuldades também na circulação de atletas e até de espetadores. “Preocupo-me muito em questões de segurança. No percurso para Toulouse, a tocha teve creio que 37 tentativas de assalto. Agora, na Nova Caledónia, a tocha não pôde passar. Portanto, não estamos fora de um contexto de um atentado. Mas aquilo que mais me preocupa é a cibersegurança. É a possibilidade de, através da entrada dos esquemas de comunicação, sabotarem tudo. Naturalmente, que as inteligências nos vários países estão em cima do acontecimento, mas é um risco que nós temos pela frente. Temos de ter consciência disso”, alertou.

Em entrevista à Lusa, a propósito dos dois meses para o arranque de Paris2024 – que se assinalam no domingo -, José Manuel Constantino garantiu não acreditar num “eventual atentado organizado”, não excluindo que possa existir “uma situação descontrolada de um ataque” solitário. “Mas eu creio que isso é o risco menor. O maior é ‘caçarem’ os serviços de transmissões e baralharem tudo”, apontou.

O presidente do COP alertou para a “burocracia terrível” e a complexidade que espera todos os envolvidos nos Jogos Olímpicos, sujeitos inclusive a verificações prévias de segurança. “Espero que o acesso às competições, e prevejo muitos portugueses a quererem estar presentes, não seja muito complicado. Complicado vai ser, mas que não seja muito, de modo a que aquilo não se transforme numa odisseia para ir de um local para o outro”, antecipou.

Quanto à mobilidade da própria missão, Constantino revelou que o COP está a estudar a possibilidade de levar viaturas próprias para França para não estar dependente “dos mecanismos de gestão da frota automóvel da organização”. “É um problema. O problema da mobilidade e o problema do acesso ao local das competições, que é muito disperso. Não está concentrado. E, portanto, estamos a estudar a melhor solução para respondermos a esse problema”, completou.

Embora a cooperação com o Comité Organizador esteja a ser “boa”, e os organizadores “evidenciem uma espécie de controlo sobre todos os problemas que são suscitados”, o máximo dirigente desportivo nacional considera que a relação “tem sido cara, mas positiva”. “Sobretudo por causa dos alojamentos. Dizia-se que Tóquio era a cidade mais cara do mundo, mas há que rever este critério. E Paris passa-lhe à frente neste momento”, indicou.

Outras das preocupações da delegação portuguesa é, inevitavelmente, a poluição das águas do Sena, ‘palco’ das provas de natação em águas abertas e do setor de natação do triatlo, que, na opinião do presidente do COP, “compromete a qualidade da competição desportiva”. “Acho que a qualidade da água não vai mudar. Depois vai haver uma política de comunicação que diz que fizeram ‘n’ testes à água do Sena e que aquilo está em condições para se realizar as provas desportivas. Mas esse não é um problema original. Recordo-me do que passou no Rio [de Janeiro, na Baía de Guanabara]. A qualidade das águas é o que é. Aquilo é o local para onde desaguam uma série de coletores numa cidade como Paris. Portanto, não se pode estar à espera, por mais tratamentos que se façam, que uma coisa que está suja passe a estar limpa”, defendeu.

Os Jogos Olímpicos Paris2024 decorrem entre 26 de julho e 11 de agosto.

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