Junho 20, 2024
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Português na inauguração do Sambódromo há 40 anos

O português Adão Ribeiro, de 80 anos, ficou muito impressionado quando desfilou na primeira escola do grupo especial a passar pelo Sambódromo do Rio de Janeiro, inaugurado no Carnaval de 1984, que completará 40 anos em março.

“Olha, realmente, quando entrei [no Sambódromo], quando dei aquela volta e vi um público enorme nas arquibancadas batendo palmas fiquei muito impressionado porque era a primeira vez que os desfiles aconteciam lá. Realmente fiquei muito impressionado”, disse Adão Ribeiro, em declarações à Lusa.

O empresário português, que emigrou para o Rio e Janeiro aos 15 anos, contou que sempre acompanhou as escolas de samba por gostar muito de dançar e, nos dias de Carnaval, saía do seu restaurante à noite para assistir aos desfiles no centro da cidade.

“Assisto às escolas de samba desde 1966, acho que andei uns 10 anos sem assistir aos desfiles, mas toda a minha vida, estou no Rio de Janeiro há 65 anos, durante 55 anos assisti aos desfiles das escolas de samba”, explicou.

“O principal [dos desfiles] é o povo, é o povo que levanta a escola de samba porque o povo batendo palmas, o bom sambista se guia pelas palmas, e [nos desfiles] faz tudo aquilo que não tem condições de fazer no dia-a-dia”, acrescentou.

Há 40 anos as escolas de samba ‘cariocas’ atravessaram pela primeira vez a passarela do samba, local que rapidamente se tornou um ícone da cultura popular brasileira.

Foi justamente a Unidos da Tijuca, escola em que Adão Ribeiro desfilou, que abriu os desfiles do grupo especial – que reúne as maiores e melhores escolas de samba do Carnaval ‘carioca’ – em 1984.

O português lembrou que naquele ano a Unidos da Tijuca apresentou o enredo “Salamaleikum – A Epopeia dos Insubmissos Malês”, que retratava a mobilização de escravizados de origem muçulmana ocorrida na cidade brasileira de Salvador em 1835.

Oficialmente, o palco do Carnaval ‘carioca’ é denominado de Passarela Professor Darcy Ribeiro e tem 700 metros de comprimento total. As arquibancadas e os camarotes do sambódromo têm capacidade para cerca de 60 mil pessoas em cada noite de desfile.

Palco de um dos maiores espetáculos a céu aberto do planeta, o Sambódromo do Rio de Janeiro foi projetado pelo arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, em 1983.

Antes de ser construído, os desfiles aconteceram na Praça XI, Avenida Presidente Vargas, Avenida Rio Branco e Avenida Presidente António Carlos.

A partir de 1978 as escolas de samba já apresentavam na rua Marquês de Sapucaí, mas as arquibancadas e outras estruturas usadas nos desfiles eram provisórias, tinham alto custo e causando transtorno durante o processo de montagem e desmontagem.

Devido a desses problemas, o governador do Rio de Janeiro à época da construção do Sambódromo, Leonel Brizola, e o antropólogo e vice-governador, Darcy Ribeiro, encomendaram um projeto a Niemeyer e, vencendo o ceticismo de parte da sociedade que achava que o projeto não ficaria pronto a tempo do Carnaval, construíram a passarela do samba em 156 dias com a ajuda de 2.500 operários.

Na estreia do Sambódromo, a Estação Primeira de Mangueira conquistou o primeiro e único título de supercampeã do ‘Carnaval’ carioca numa disputa travada contra a Portela. 

Quando foi inaugurado, o local foi chamado de Avenida dos Desfiles. Posteriormente, o seu nome oficial mudou para Passarela do Samba e, em 1987, passou a chamar-se Passarela Professor Darcy Ribeiro, em homenagem ao principal mentor da obra.

Em 2021, o Sambódromo do Rio de Janeiro foi oficialmente assumido pelo Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional (Iphan), tornando-se oficialmente património histórico e cultural do Brasil.

FONTE: LUSA

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